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MAPA CONCEITUAL: FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM

Patrícia Behling Schäfer

Patrícia Behling Schäfer

Doutoranda em Informática na Educação , mestre em Psicologia Social e Institucional e bacharel em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora colaboradora da disciplina Tecnologias da Informação e Comunicação na Aprendizagem em Rede ( PPGIE / UFRGS) e pesquisadora do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ( LEC / UFRGS ).

 

E.C.  - Como você definiria um Mapa Conceitual?

Patrícia - O mapa conceitual é uma forma de representação gráfica do conhecimento, em que são estabelecidas relações entre conceitos. Trata-se de um recurso extremamente rico para a explicitação das ligações lógicas do pensamento, permitindo o acompanhamento do processo de conceituação acerca dos mais diversos temas.

E.C. - Quais são os elementos que compõem um Mapa Conceitual?

Patrícia - A estrutura do mapa conceitual compreende termos-chave (substantivos) inseridos em caixas e relações entre esses termos expressas por meio de predicações (verbos ou verbos acrescidos de complementos). Diferentemente de outras formas de representação, o mapa conceitual possibilita a constituição de proposições – sentenças de sentido completo – de forma não-hierárquica. A disposição cíclica, que viabiliza ligações em diversos sentidos, é própria do conceito, resultante de transformações dos sistemas de significação do aprendiz em um processo contínuo e sistêmico, instigado por novidades que o cercam. O mapa conceitual gera, dessa forma, uma representação da construção do conhecimento muito próxima ao funcionamento do pensamento, sempre suscetível a mudanças e novas conexões.

E.C. - Para que e como usar Mapa Conceitual em sala de aula?

Patrícia - Utilizar o mapa conceitual em sala de aula favorece o acompanhamento da aprendizagem do aluno, de seu processo de conceituação, permitindo que sejam visualizadas as relações e operações que ele estabelece no pensamento.

Um bom ponto de partida para o trabalho com mapas conceituais é propiciar ao aprendiz a oportunidade de elencar questões de investigação, perguntas que identifiquem dúvidas, curiosidades ou desejos de pesquisa. Orientá-lo a selecionar palavras que considere relevantes acerca da pergunta elaborada é também um procedimento importante.

Outro ponto a ser considerado é o caráter de incompletude do mapa, de abertura a contínua mudança, aspecto destacado pelo professor Ítalo Modesto Dutra (2006). É possível, assim, incentivar a construção de diferentes versões do mapa, que revelam diferentes momentos cognitivos do aluno conforme o avanço de sua pesquisa. No caso da metodologia de Projetos de Aprendizagem, observamos, por exemplo, como as certezas provisórias e as dúvidas temporárias são revistas e aprimoradas no decurso da criação dos mapas. Segundo a professora Léa da Cruz Fagundes (1999), "pesquisando, indagando, investigando, muitas dúvidas tornam-se certezas e certezas transformam-se em dúvidas; ou, ainda, geram outras dúvidas e certezas que, por sua vez, também são temporárias, provisórias". O mapa é um suporte profícuo para acompanhar essa alternância e realizar intervenções que auxiliem o aluno no seu processo de desenvolvimento conceitual.

E.C. - Como os Mapas Conceituais podem ser mais uma ferramenta para  a aprendizagem?

Patrícia - O ponto de partida de toda aprendizagem é a ação do sujeito. Os mapas mobilizam essa ação, contribuindo com o desenvolvimento de diversas competências cognitivas, como organização e seleção de informações, formulação de perguntas, apresentação de hipóteses, análise e comunicação. Além de estruturar seu pensamento, o aluno realiza um esforço de socialização do conhecimento construído, favorecendo a aprendizagem em rede, uma vez que colegas e professores podem interagir com sua produção. O mapa conceitual pode ser tranquilamente integrado a outros meios de representar o conhecimento, como o texto e a própria verbalização. São formas diferentes de identificar as significações estabelecidas pelo aluno a fim de auxiliá-lo em suas construções.

E.C. - Que recado você daria ao  professor que não sabe muito bem como usar em sala de aula um mapa conceitual, mas gostaria de usá-lo?

Patrícia - Que aceite o desafio e explore o recurso para conhecer as potencialidades que ele apresenta. Muitas ideias surgirão. O software Cmap Tools, elaborado especialmente para a construção de mapas conceituais digitais, pode ser baixado gratuitamente através do endereço http://cmap.ihmc.us. Experimentar a ferramenta vale a pena, sobretudo quando pensamos no quanto ela pode nos auxiliar a acompanhar e entender o pensamento do aluno.

DUTRA, Ítalo Modesto. Mapas conceituais no acompanhamento dos processos de conceituação. Porto Alegre: UFRGS, 2006. Tese (Doutorado em Informática na Educação), Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2006.

FAGUNDES, Léa da Cruz, MAÇADA, Débora, SATO, Luciane. Aprendizes do futuro: as inovações começaram. Coleção Informática para a Mudança na Educação. Brasília: SEED, MEC, PROINFO, 1999. 

6 comentários para “MAPA CONCEITUAL: FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM”

  1. Maria Sueli Souza Ferraz Wasconcellos disse:

    Olá, achei muito interessante e pertinente a entrevista da Patrícia já que nós educadores usamos pouco deste recurso. Adorei!!

  2. Evanir Marcos disse:

    Esta ferramenta é importantíssima e favorece sobremaneira a organização e planejamento dos conteúdos a serem abordados , pois bem elaborado pode dar uma visão clara e suscinta dos assuntos em pauta.

  3. Aglaia Paiva Ribeiro Campos da Costa disse:

    Parabéns!
    De fato devemos nos apropriar mais dessa ferramenta que tanto contribui para o processo de aprendizagem.

  4. CLAYTON MARCELO BARONE disse:

    BUENAS TARDES

    ADOREI esse texto. O processo de ensino e aprendizagem.

  5. Karla Juliana Silva Tolêdo disse:

    A entrevista de Patrícia Schäfer foi muito clara, e possibilitará, com certeza, novos olhares a cerca da construção e utilização de mapas conceituais em sala de aula, proporcionando uma aprendizagem bastante significativa, desde todo o processo de elaboração.

  6. Nathalia Oliveira da Silva disse:

    Adorei a entrevista, a Patrícia mostra com convicção o quão importante é o uso dos mapas conceituais em sala de aula, sej apor parte do professor ou por parte dos alunos.

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